Calgary Tribune - França suspende o uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis

França suspende o uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis
França suspende o uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis / foto: Kenzo TRIBOUILLARD - AFP

França suspende o uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis

A França suspendeu, nesta quarta-feira (7), o uso de granadas de efeito moral pela polícia durante os protestos estudantis, depois que um adolescente perdeu uma mão devido a um desses artefatos.

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Na terça-feira, após uma nova jornada de manifestação reunir 256.000 estudantes, professores e pais, o governo negou a existência de "repressão policial" contra esses protestos, que já resultaram em mais de 6.500 detenções, em sua maioria de menores.

Em entrevista à rádio francesa RTL, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão do uso de bombas de efeito moral nos protestos estudantis até que os incidentes ocorridos sejam esclarecidos.

Segundo uma fonte sindical policial, o estudante de 15 anos perdeu a mão ao pegar uma granada de dispersão lançada pela polícia em Lens, no norte da França.

Além disso, outro estudante de 14 anos, no noroeste de Paris, perdeu vários dentes devido à explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo a curtíssima distância.

O ministro explicou que a suspensão se aplica "apenas aos protestos de estudantes do ensino médio" e "somente pelo tempo necessário para compreender o que aconteceu".

"Foi preciso que vários jovens ficassem mutilados para o resto da vida para que Nuñez desistisse de usar granadas contra estudantes do ensino médio", criticou Manuel Bompard, coordenador nacional do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI).

Embora majoritariamente pacíficos, os protestos ocasionalmente acabaram em violência. O governo relatou que 215 estudantes, 715 policiais e 85 membros do corpo docente ficaram feridos.

A polícia abriu 18 investigações internas sobre denúncias de má conduta desde o início dos protestos, disse Núñez.

Desde setembro, estudantes com idades entre 15 e 18 anos bloquearam centenas de escolas para denunciar a falta de professores e as cargas horárias excessivas, assim como salas de aula deterioradas e incapazes de suportar o aumento das temperaturas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou na terça-feira uma reunião de emergência com seu primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e outros membros-chave de seu governo para tratar da situação.

Lecornu fará um pronunciamento à população nesta quarta-feira para abordar os protestos e as finanças públicas, em meio a um debate acalorado sobre o orçamento de 2027.

O governo propôs um ajuste fiscal de mais de 60 bilhões de dólares (R$ 298 bilhões) para conter o elevado déficit e uma dívida pública recorde.

No entanto, a aprovação parlamentar parece difícil a poucos meses das eleições presidenciais de 2027 para escolher o sucessor de Macron, pleito no qual a ultradireitista Marine Le Pen aparece como favorita nas pesquisas.

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V.King--CT