Irã respondeu às propostas dos EUA, embora tenha advertido que moderação chegou ao fim
O Irã enviou sua resposta à proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio, embora também tenha advertido que a moderação nas respostas militares chegou ao fim.
"A República Islâmica do Irã enviou, por meio de um mediador paquistanês, sua resposta ao último texto proposto pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra", informou neste domingo (10) a agência oficial de notícias Irna, sem dar mais detalhes.
A agência destacou que a resposta do Irã se concentra em "pôr fim à guerra e garantir a segurança marítima" no Golfo e no Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia dito que esperava que os mediadores paquistaneses recebessem a resposta iraniana na sexta-feira.
No sábado, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, havia questionado a seriedade dos Estados Unidos.
O Irã criou um mecanismo para cobrar pedágios dos navios que atravessam o estreito, mas autoridades americanas destacaram que isso seria "inaceitável".
Esse anúncio sobre a resposta iraniana ocorreu depois que, ao longo do dia, vários drones atingiram diferentes áreas do Golfo e um deles atingiu um cargueiro que se dirigia ao Catar.
- "Nossa moderação terminou" -
Simultaneamente, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu os Estados Unidos contra qualquer ataque a embarcações nas águas do Golfo e afirmou que a moderação do Irã chegou ao fim.
"Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas", escreveu Rezaei no X.
Vários alvos no Golfo foram atingidos por ataques neste domingo, incluindo um cargueiro que navegava em direção ao Catar.
O Ministério da Defesa do Catar informou que um cargueiro que chegava às suas águas vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone ao nordeste do porto de Mesaieed.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO indicou que o navio graneleiro informou ter sido atingido por um projétil desconhecido.
"Ocorreu um pequeno incêndio que já foi extinto, não há vítimas. Nenhum impacto ambiental foi relatado", afirmou a UKMTO.
Embora não tenha havido reivindicação imediata de responsabilidade, a agência iraniana Fars informou que "o graneleiro atingido perto da costa do Catar navegava sob bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos".
Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de ser responsável por um ataque que teve como alvo seu território.
Da mesma forma, o Kuwait também relatou uma tentativa de ataque.
"Ao amanhecer de hoje, as forças armadas detectaram vários drones hostis no espaço aéreo kuwaitiano, que foram neutralizados de acordo com os procedimentos estabelecidos", publicou o Exército.
- Novas instruções -
No Irã, o chefe militar Ali Abdollahi reuniu-se com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, e, segundo a televisão estatal iraniana, recebeu "novas diretrizes e instruções para a continuação das operações".
Nesse contexto, a Guarda Revolucionária Islâmica ameaçou atacar interesses americanos no Oriente Médio caso seus petroleiros fossem atacados, como ocorreu na sexta-feira, quando um caça americano disparou contra dois navios de bandeira iraniana e os inutilizou.
"Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos resultará em um forte ataque contra um dos centros americanos na região e contra navios inimigos", advertiram.
O Irã bloqueou o Estreito de Ormuz — uma via-chave para o trânsito de petróleo, gás e fertilizantes — em uma tentativa de exercer pressão econômica sobre os Estados Unidos e seus aliados.
A Marinha americana, em resposta, mantém um bloqueio e, em algumas ocasiões, inutiliza ou desvia navios que se dirigem aos portos iranianos ou saem deles.
A guerra no Oriente Médio, desencadeada pelo ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, provocou represálias de Teerã em vários países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz.
A guerra causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e desestabiliza a economia mundial devido à alta dos preços da energia.
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H.Hall--CT