Calgary Tribune - Serie A encontra nas novas regras um antídoto para os empates sem gols

Serie A encontra nas novas regras um antídoto para os empates sem gols
Serie A encontra nas novas regras um antídoto para os empates sem gols / foto: Andreas SOLARO - AFP/Arquivos

Serie A encontra nas novas regras um antídoto para os empates sem gols

A Itália pode até ter ficado fora de sua terceira Copa do Mundo consecutiva em 2026, mas as novas regras de arbitragem que começaram a ser aplicadas na América do Norte afetaram a Serie A, onde não se registram mais empates sem gols, placares que, por décadas, foram uma marca registrada do país.

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Antes do início da 6ª rodada da Serie A neste fim de semana, o 'Calcio' mal se reconhece: nenhuma das 50 partidas disputadas até agora terminou empatado em 0 a 0.

Mas a estatística impressiona ainda mais se levarmos em conta a segunda divisão: na Serie B, houve apenas um 0 a 0 desde o início de ambos os campeonatos, em meados de agosto. Algo inédito após cinco rodadas e 100 jogos.

Para completar, o futebol italiano pode dever essa pequena revolução a um de seus ex-árbitros, Pierluigi Collina, sem dúvida o mais famoso, apesar de ter pendurado o apito há vinte anos.

Collina atua agora como responsável pela arbitragem na Fifa e tem buscado acelerar o jogo, se mostrando intransigente com as pequenas perdas de tempo: cinco segundos para cobrar um lateral ou tiro de meta, dez segundos para deixar o gramado após ser substituído e um minuto fora de campo depois que um jogador lesionado recebe atendimento médico.

São medidas que representaram uma verdadeira revolução na Itália, país onde a astúcia para ganhar tempo é considerada uma arte.

- 5 minutos a mais de bola rolando -

Para efeito de comparação, na temporada 2025-2026 já haviam ocorrido cinco 0 a 0 após cinco rodadas, e sete na temporada anterior.

Há quarenta anos, na temporada 1986-1987 e com apenas oito jogos por rodada, também sete partidas já haviam terminado com o placar em 0 a 0. Vinte anos antes, no auge do rigoroso estilo 'catenaccio', foram dez.

O tempo médio de bola rolando aumentou, um aspecto em que a Serie A estava em último entre os cinco principais campeonatos na temporada passada.

Nesta temporada, a bola rolou, em média, 5 minutos e 5 segundos a mais, aproximando-se de uma hora de tempo efetivo de jogo (59 minutos e 24 segundos).

"Vejo um campeonato em que a intensidade e a qualidade de jogo aumentaram", comemorou Cristian Chivu, técnico da Inter de Milão, após o empate emocionante (2 a 2) de sua equipe — a atual campeã — contra a Roma.

"As novas regras dão velocidade e eliminam tempos mortos. Basta aceitar que as partidas podem terminar com placares elásticos, mas eu gosto disso", acrescentou.

- "Os 0 a 0 vão voltar" -

Os árbitros também celebram as medidas: após uma temporada 2025-2026 marcada pelas polêmicas habituais e por um escândalo inédito envolvendo o VAR — cuja aplicação foi reduzida —, os árbitros retomaram o controle.

"O legado da Copa do Mundo é que vimos até que ponto a figura central foi o árbitro", comemorou o novo chefe da arbitragem, Daniele Orsato.

"Agora, quando um jogador está no chão, ele pensa: 'Se eu continuar assim, vamos jogar com um a menos durante um minuto e podemos sofrer um gol'. Com as novas regras, meus árbitros terminam exaustos e com ainda mais coisas na cabeça, mas isso não é pedir demais, pois vemos os resultados", destacou.

Até mesmo o técnico Roberto Mancini, de volta ao comando da 'Nazionale' após sua saída em 2023, elogiou os árbitros durante sua primeira janela internacional.

"Sempre acreditei que, na Itália, jogávamos em um ritmo menos intenso do que na Inglaterra porque o jogo era paralisado demais pelo apito", disse.

Mas, como ex-jogador e treinador experiente, ele não acredita que tenha sido encontrada a fórmula mágica contra os empates sem gols.

"Os placares de 0 a 0 voltarão quando houver mais coisas em jogo. É o 'Calcio' que quer que seja assim".

G.Phillips--CT