Calgary Tribune - Rússia afirma que não está mais ligada ao tratado Novo Start

Rússia afirma que não está mais ligada ao tratado Novo Start
Rússia afirma que não está mais ligada ao tratado Novo Start / foto: Vyacheslav Prokofyev - Pool/AFP

Rússia afirma que não está mais ligada ao tratado Novo Start

A Rússia afirmou nesta quarta-feira (4) que não está mais ligada ao acordo de desarmamento nuclear Novo Start, que expira amanhã, mas ressaltou que vai agir com "prudência e responsabilidade".

Tamanho do texto:

O acordo foi assinado em 2010, em Praga, pelos então presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev. Naquele momento, era um dos componentes cruciais da chamada política do "reset", um recomeço na tentativa de Washington de "restabelecer" relações com o Kremlin.

O Novo Start limita os arsenais das duas potências nucleares a um máximo de 1.550 ogivas estratégicas ofensivas para cada uma, o que representa uma redução de quase 30% em comparação com o limite anterior, fixado em 2002. Também limita o número de lança-mísseis e bombardeiros pesados a 800.

A expiração do acordo marcaria a transição para uma ordem nuclear menos regulada, embora as inspeções tenham sido suspensas em 2023, devido à ofensiva russa lançada na Ucrânia em fevereiro de 2022.

O Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que Moscou não está mais vinculada ao acordo: "Assumimos que as partes do Novo Start já não estão ligadas a nenhuma obrigação nem declaração simétrica no contexto do tratado."

Segundo seu assessor diplomático, o presidente Vladimir Putin enfatizou hoje, em conversa com o líder chinês, que "agiremos com prudência e responsabilidade nesta situação".

"Continuamos abertos a encontrar vias de negociação e garantir a estabilidade estratégica", ressaltou Yuri Ushakov, que levantou a possibilidade de conversas de última hora.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reiterou a posição de Donald Trump de que qualquer acordo nuclear com a Rússia deveria incluir a China: "O presidente deixou claro que, para alcançar um verdadeiro controle de armas no século XXI, é impossível fazer qualquer coisa que não inclua a China, devido ao seu arsenal amplo e rapidamente crescente."

A China é a terceira maior potência nuclear, muito atrás de Rússia e Estados Unidos, e sua trajetória ascendente causa preocupação em Washington.

O papa Leão XIV alertou hoje para o risco de uma nova corrida armamentista. "Faço um apelo urgente para que não abandonem esse instrumento sem tentar garantir que haja um acompanhamento concreto e eficaz", disse o pontífice americano, que considera "mais urgente do que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética compartilhada".

"Façam todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista, que ameaçaria ainda mais a paz entre as nações", pediu o papa, ao encerrar sua audiência semanal no Vaticano.

burs/jmo/lb/ial/mb/erl-an/cjc/lb/am

R.Brown--CT