Busca desesperada por sobreviventes após terremotos que deixaram 188 mortos na Venezuela
Desesperados, venezuelanos escavam os escombros de edifícios que desabaram na tentativa de resgatar seus entes queridos, após dois fortes terremotos que deixaram pelo menos 188 mortos.
Prédios desabaram como se fossem de papel, e as pessoas correram em pânico após os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira (24), com menos de um minuto de diferença entre eles.
A região mais castigada foi La Guaira, cidade costeira vizinha de Caracas e onde fica o principal aeroporto do país, que permanece interditado devido ao terremoto.
"Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou", disse à AFP Yilsmaris Blanco, diante de um prédio rachado. "É algo que não desejo a ninguém."
Os trabalhos de resgate avançam lentamente, e ainda há corpos visíveis sob os escombros 24 horas após os terremotos.
Moradores ouviram durante horas três pessoas presas sob os escombros. "Elas estão vivas. Dizemos para que não forcem a voz, que respirem de forma curta", explicou Antonio Bermúdez, de 45 anos.
As famílias tentavam retirá-las, mas era impossível mover as placas de concreto com as ferramentas improvisadas que possuíam.
Em outra área, moradores relataram que ouviram uma menina presa sob os escombros chorar durante horas. Ela morreu pouco depois.
Um médico do Hospital Domingo Luciani, em Caracas, informou que as crianças resgatadas chegam sozinhas de ambulância. Algumas conseguem dizer apenas o próprio nome; outras chegam com o nome escrito com marcador em uma fita amarrada ao pulso, contou.
A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou nesta quinta-feira La Guaira, onde a AFP constatou a ocorrência de saques, e declarou a região como "zona de desastre".
Seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, divulgou o novo balanço de vítimas fatais e informou que 1.520 pessoas ficaram feridas.
- "Venham ajudar" -
Nas redes sociais, multiplicam-se os pedidos de informações sobre desaparecidos, muitos deles em La Guaira. As pessoas consultam listas divulgadas pelos hospitais públicos com os nomes dos feridos.
O número oficial de desaparecidos é de 157, embora seja muito provável que aumente.
"Minha casa desabou completamente, perdi familiares, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la", declarou em La Guaira Jean Alexander Capote, de 48 anos, diante de um edifício de mais de 15 andares que perdeu várias paredes durante os tremores.
Perto dali, homens e mulheres saíam de um comércio saqueado carregando sacolas cheias de produtos.
O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 no horário local (19h04 de Brasília), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
A força desses terremotos foi sentida em outros estados e até mesmo na Colômbia. Desde então, já ocorreram mais de 130 réplicas.
A Venezuela é um país de atividade sísmica, embora um grande terremoto não fosse registrado desde 1997. Naquele ano, o terremoto ocorreu em Cariaco, cidade costeira no nordeste do país, e deixou 73 mortos. O último grande terremoto em Caracas havia ocorrido em 1967, com 236 vítimas fatais.
- Equipes de resgate a caminho -
O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".
A presidente afirmou que conversou com o coordenador da ONU no país e que "equipes especializadas de resgate" já estão a caminho para apoiar as buscas por sobreviventes.
O presidente Donald Trump prometeu ajudar seus "novos e grandes amigos". Os Estados Unidos ofereceram 150 milhões de dólares (R$ 778 milhões), dos quais 100 milhões serão destinados a um fundo humanitário da ONU para a Venezuela e o restante será destinado a organizações não governamentais que já atuam no país.
A maior parte dos países da América Latina também manifestou solidariedade e ofereceu ajuda. Chile e México, países com reconhecida experiência no enfrentamento de terremotos, anunciaram o envio de equipes de resgate.
Espanha, Alemanha, Itália, Suíça, China, Índia e a União Europeia também ofereceram assistência.
- Pânico em Caracas -
As cenas de destruição e pânico também se repetiram em Caracas.
No bairro de Altamira, uma das áreas de maior atividade sísmica da capital, um edifício de 22 andares desabou. Pouco depois dos tremores, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares na esperança de obter alguma resposta.
Em outros bairros, a situação era semelhante: casas destruídas e edifícios rachados.
Rita Gómez, de 60 anos, viajou durante toda a noite de Maracaibo até Caracas após ver nas redes sociais imagens do prédio onde sua filha morava completamente destruído.
"Estou confiando em Deus para que consigam encontrá-la com vida", disse.
A população permanece nas ruas à espera de possíveis novas réplicas, diante dos edifícios destruídos ou em abrigos improvisados com barracas montadas em parques e vias públicas.
Em um muro, a fotografia de um menino de 6 anos. Ao lado, lia-se: "Desaparecido no terremoto", junto com seu nome e um telefone para contato. Última localização conhecida: La Guaira.
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